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A nova coreografia de Rodrigo Pederneiras, com trilha original de José Miguel Wisnik e Carlos Núñez, tem estreia nacional em 4 de agosto no Teatro Alfa.
Com a participação vocal de Milton Nascimento, Chico Buarque, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Rita Ribeiro e Jussara Silveira.
O mar (de Vigo), que leva e traz de volta o amor, o amigo, é o mote de inspiração de Sem Mim, a mais recente criação do Grupo Corpo, que faz sua estreia nacional no próximo dia 4 de agosto no Teatro Alfa, em São Paulo, dando início à turnê que percorre as capitais de costume: Belo Horizonte (Palácio das Artes, 17 a 21 de agosto), Rio de Janeiro (Theatro Municipal, 25 a 29 de agosto) e Brasília (Teatro Nacional, Sala Villa-Lobos, 10 a 13 de novembro).
Com coreografia de Rodrigo Pederneiras, cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras e figurinos de Freusa Zechmeister, a mais recente criação da companhia mineira de dança é embalada pela trilha original urdida a quatro mãos pelo músico e compositor viguês Carlos Núñez e pelo paulista de São Vicente José Miguel Wisnik a partir do único conjunto de canções do repertório medieval galego-português que chegou aos nossos dias com as respectivas partituras de época: as célebres Cantigas de Amigo, de Martín Codax. O balé Sem Mim tem as participações vocais de Milton Nascimento, Chico Buarque, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Rita Ribeiro e Jussara Silveira, além do próprio Wisnik.
Complementa o programa a coreografia O Corpo (2000), de Rodrigo Pederneiras, com música de Arnaldo Antunes, que não é apresentada em São Paulo desde 2001.
O espetáculo será assim composto: O Corpo (42 minutos) – intervalo (20 minutos) – Sem Mim (47 minutos).
Ao todo serão nove apresentações do Grupo Corpo no Teatro Alfa: entre 4 e 7 e 10 e 14 de agosto. A companhia mineira se apresenta no Teatro Alfa desde a inauguração em 1998 e é destaque da sua Temporada de Dança desde a primeira, em 2004.
Nas sete canções de Martín Codax, datadas do século XIII, o poeta se pronuncia sempre em nome da mulher; de jovens apaixonadas que, no anseio de (voltar a) encontrar seu amado-amigo, confidenciam ora com o mar, ora com a mãe, ora com amigas. E, para aplacar ou fustigar este desejo, vão banhar-se nas ondas do Mar de Vigo.
Descobertas em 1913 por um livreiro espanhol, publicadas no ano seguinte em edição limitada a exíguos dez exemplares, e novamente perdidas por décadas, dos anos 80 para cá, em conjunto ou isoladamente, as cantigas de Martín Codax motivaram dezenas de gravações. Sempre marcadas por uma certa impostação erudita. Por isso mesmo, reclamavam há tempos uma releitura capaz de aproximá-las do ouvinte contemporâneo. E o sonho acalentado desde muito por Carlos Núñez é que elas fossem entregues à canção brasileira – a única, segundo ele, capaz de reencontrar-lhes a verdadeira vida. “Assim, em vez de buscar um preciosismo de arquivo, tentando recuperar uma improvável versão ‘autenticamente’ medieval”, esclarece seu parceiro José Miguel Wisnik, “achamos que seríamos mais fiéis a elas tratando-as, com toda a delicadeza, como nossas e atuais”.
Além das sete cantigas de Codax, a trilha de Sem Mim traz interlúdios instrumentais com versões de temas populares tradicionais dos repertórios galego, português e brasileiro, recolhidos por Núñez na longa pesquisa em busca de rastros da música medieval galega na tradição popular brasileira, especialmente em Minas Gerais, que deu origem a seu disco Alborada do Brasil, lançado ano passado. Sobre esta teia sonora – que inclui as participações vocais de Milton Nascimento, Chico Buarque, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Rita Ribeiro e Jussara Silveira, além do próprio Wisnik, e é marcada pela presença das violas brasileiras, cuja sonoridade, nas palavras do compositor paulista, “têm a ver com os instrumentos medievais e galegos”; do ritmo da toada, “tão profundamente ibérico”; dos vilancicos galegos, “que se espalharam pelo Brasil e por Minas” –, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras teceu sua partitura de movimentos.
Uma partitura pautada na calmaria, na fúria e no vai-e-vem próprios das ondas do mar, e, também, no apartamento, no jogo de cena, entre o feminino e o masculino, onde um(a) reclama sempre a falta do outro.
O Corpo
Uma luz vermelho-sangue tinge o palco em resistência, revelando sobre o linóleo também escarlate formas vagamente humanas, talvez fetais, que se movem ao redor de si mesmas.
Pouco a pouco, a dissecação verbal da anatomia humana vai despindo de significado as palavras e imprimindo-lhes uma dicção puramente rítmica. Já verticalizados, os corpos dos dezenove bailarinos do Grupo Corpo riscam em todas as direções o espaço cênico, materializando (ou corporificando) tempos, contratempos, timbres, tons, sons, frases melódicas.
Substantivo que dá nome à companhia mineira de dança e matéria-prima inalienável à arte que ela expressa e representa, o corpo, “esse composto de ossos carne sangue órgãos músculos nervos unhas e pelos”, serve de inspiração sonora e semântica à trilha especialmente composta por Arnaldo Antunes para o balé que marcou a celebração dos 25 anos de existência do Grupo Corpo. O mote teve a adesão unânime e inconteste do núcleo de criação da companhia. Vigésima nona coreografia levada à cena pelo grupo desde a sua fundação em 1975 e vigésima sexta assinada por Rodrigo Pederneiras, O Corpo exibiu sua forma final pela primeira vez no Teatro Alfa, São Paulo, em 9 de agosto de 2000. O balé tem cenografia e iluminação de Paulo Pederneiras, figurinos de Freusa Zechmeister e Fernando Velloso.
Temporada de Dança do Teatro Alfa em 2011
Após a apresentação do Grupo Corpo, a Temporada de Dança 2011 do Teatro Alfa prossegue com: São Paulo Companhia de Dança, as coreografias Supernova, Legend, Inquieto e Tchaikovsky Pas de Deux, em três datas, de 26 a 28 de agosto; Cia. de Dança Deborah Colker, dez apresentações da inédita coreografia Tathyana de 9 a 18 de setembro; Akram Kahn Company (Inglaterra) traz as coreografias Gnosis e Vertical Road, em quatro noites, de 13 a 16 de outubro; Sasha Waltz and Guests (Alemanha) apresenta Travelogue I – Twenty to Eight, em dois dias, 29 e 30 de outubro.
GRUPO CORPO – Sem Mim
Teatro Alfa – Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro – São Paulo
4 a 14 de agosto
Quarta, quinta e sábado, 21h; sexta, 21h30; domingo, 18h
Setor I e II, R$ 100,00; Setor III, R$ 70,00 e Setor IV, R$ 40,00
1110 lugares
O Corpo (42m) – intervalo de 20m – Sem Mim (47m)
Livre
Com informações da Quatro Elementos Comunicação & Mkt. Cultural


